A livraria virou bar, olha o mundo de ponta-cabeça E eu tentando decifrar onde acabou tanta promessa Será que o velho sofá ainda guarda o nosso chão? Ou virou poeira fina no canto daquela escuridão? Passei horas no centro, respirando memória fria Cada rua me lembrando o que já foi nossa poesia Sentei no mesmo banco onde a gente ria à toa Mas hoje só vi gente leve, enquanto minha alma ecoa Todo mundo anda sem peso, como se nada fosse perder Mas eu tropeço no silêncio que ainda guarda você É estranho ver a cidade vivendo num tom tão leve Quando aqui por dentro tudo cai, tudo desreve E eu sinto falta Falta do café caro que queimava o coração Falta do teu cheiro preso na minha mão Ela me beijou, mas não virou emoção Era só gosto doce, só distração Eu sinto falta do café caro E de você, na mesma proporção Dois anos sem teu toque e eu pensando que cederia Mas quando ela me encostou na parede, nada acontecia Eu procurei o impacto, o fogo, a tal imensidão Mas tudo que encontrei foi vazio e repetição Ela tinha gosto de caramelo, chantilly, cereja no topo Starbucks de oito dólares, luxo doce no meu corpo E eu deixei o beijo ir, sem me importar com o prazer Talvez pra relembrar que um dia eu já soube viver E eu sinto falta Falta do café caro que queimava o coração Falta do teu jeito torto de segurar minha mão Ela me beijou, mas não virou emoção Era só gosto doce, só distração Eu sinto falta do café caro E de você, na mesma proporção A livraria virou bar, e eu virei saudade também Se o mundo inteiro muda, o meu ainda te mantém