A depressão voltou, te visitou, se instalou por dentro A cada quatro, cinco horas, sem noção do tempo Os dias se passam em um ano, mano, se passam em um dia Um 5-7, artigo 12, altera a sua rotina Quem acredita em alegria, me diz se eu tô errado Não vai contar um tempo dela em dois metros quadrados Trancafiado, concretos e grades O homem que ama a si mesmo não destrói a sua liberdade Dias e noites até pensando no que fez Sofrimento, o ódio te corrói por dentro E aí dentro só não fica preso o pensamento Ou você puxa a faca e dá ou ela te puxa pra cena Nesse veneno, esse é o crime, outro mundo, outras regras Mais severas, piores que a guerra Sem piedade no contraste no jogo da cela A pilantragem é o único arte nesse mundo de trevas Sem conversa, não há certeza, não há desvantagem Pra quem puxa seu veneno sem crocodilagem Não era essa vida que você queria ter Não foi o que os seus pais sonhou pra você Oh, filho Oh, maior dificuldade Livre e feliz Pra hoje estar atrás das grades Vejo o inferno, no olho só vejo a tristeza Pelo com um gol, observo o luar, o brilho das estrelas Pensamentos que vão e vêm, a incerteza Cada audiência, quanto tempo na mesma rotina Saudades da minha mãe, do meu filho, da minha família Outra vez eu todo de branco esperando uma visita Deu 15 horas e na minha frente só polícia Cai na depressão, a visita acabou Nenhum parente vem me ver, o coma me abraçou O tique-taque do relógio deu dois passos pra trás O carcereiro trocou a cela, ninguém vem nos ver mais Trancou a paz, colocou cadeado nas vidas Que eram vidas e hoje segue uma rotina Presídio, pátio, presídio, advogado, família Mais um dia sem alternativa Pra quem vive atrás das grades sem perspectiva Não era essa vida que você queria ter Não foi o que os seus pais sonhou pra você Oh, filho Oh, maior dificuldade Livre e feliz Pra hoje estar atrás das grades Sei que é difícil, mas não vou desistir Mesmo meus valores, minha família contra mim Estou junto com você nesta luta, o que vier A gente vai vencer, a, pode botar fé Criar nossos filhos sem depender do crime Assim vou dar pra eles o que eu nunca tive Tô suportando as grades, as fofocas, as conversas Mulher de vagabundo, me solteira aqui não presta Ignore essa ideia, sociedade hipócrita Na fila de um ônibus só mágoas e revolta Choro da criança, muro, concreto, grade Dia de visita, onde está a liberdade? Lágrima no rosto, procuro entender Mas de cabeça erguida pois sei que vou vencer Mostrar pra quem duvida, pra quem desacredita Que no fim do sofrimento a vitória em seguida Mesmo não ser a vida que sonhei Agradeço a Deus e sigo a lei