Condenada desde a minha origem Mais Eva que virgem Marias na margem Ressurgem e atingem o auge Bem longe se qualquer chantagem Não vão me negociar Não aceito ser peça ou objeto Muito menos se presa num quadrado Sei bem o que me pesa e é indigesto Quando o respeito deles é abstrato Não vou ser só um artefato De um contrato, de um tratado Do mercado o mais barato Com sonhos castrados Minha liberdade e prazer deixam ele apavorado Não me submeto eu transgrido o medo Transcrevo o enredo dessa farsa antiga Rasgo seu roteiro, rompo o cativeiro Viro bicho e ingiro você na barriga Não cisca no meu roçado Pisa fofo no meu terreiro O meu corpo tá envultado E o meu sorriso espinheiro negro Arreda homem que lá vem mulher Arreda homem que lá vem mulher Força que ninguém segura Madeira que nada fura De madruga na encruza Eu sou a bruxa que sussurra Mandinga que mata e cura Feitiço na luz da Lua A fogueira a quem deseja só Me ver morta ou nua Fruta gogoia tropicana Serpente jiboia ligeira igual caninana Sagrada e profana O canto da força estranha Coragem tamanha que rompe com as Todas entranhas Vida não se barganha A eles não se sirva Virada sou canha e Subversiva Flutuo em minhas águas, não fico a deriva Façanha maior é sempre minha alma viva