Xamego, xamego ê Quero o teu sorriso franco Que remédio cura a alma? Arranco! Da folia, o terreiro! Alegria dos confins A razão de todo amor que habita em mim Prazer! Sou do circo retinto daqui Nobre afro guarany Sem censura e grilhão O sonho alegre da escrava Leopoldina A liberdade de meu pai João Vai caravana ao rincão comunitário Nossa Senhora do Rosário quem nos guia Qual alforria exalando a sua força O ventre livre que forjou minha família Em Charles Chaplin, Benjamim me inspirei Maria Eliza resistência dos Reis Quem rir comigo não vai mais chorar Sou luta preta onde palco é viés A flor no peito é pra eternizar Que faço arte afrontando coronéis Tive que partir! Deixando legado e saudade a sanfona Fui muitas mulheres em uma só lona Que a maquiagem não pôde esconder Nem calar, nem conter Palhaça sim! Da raça que um dia sofreu no espelho Dos filhos e netos do nariz vermelho Do circo eterno que chama Brasil De enredo, viro samba porque tudo posso ser Feminina fantasia de viver