Quero ouvir a voz da alma brasileira Cantar pro dia nascer feliz Eternizar mais uma estrela No pavilhão da imperatriz Bicho-homem indomável, pele de camaleão A face selvagem da fera humana Miragem que plana na contramão Que nunca se molda, olhar que devora Linhagem sonora da rebeldia Imagem que assanha os fora de moda O timbre que arranha a hipocrisia A voz de bandeja na radiola O som que degola a tirania Desejo primitivo, voo na imensidão É o grito renascido, um bandido coração Seu corpo sua, sua alma nua Pecado no feitiço da canção Rompeu tratados, moveu moinhos Caminhos tortos do destino Passos febris de um sangue latino No doce cantar, o louco atrevido O troco dos amores tão servis O sopro dessas flores gris Entre os sacis e as fadas à luz do luar Baila no uivar da madrugada O Fruto que goza o prazer sem medo Ney Matogrosso, a chama desse meu enredo Deixa a tristeza pra lá Faz o meu samba ecoar Não há pecado no calor da nossa gente Deixa a tristeza pra lá Faz o meu samba ecoar Deixa falar o coração Leopoldinense