Nasci com um relógio correndo dentro do peito Ponteiro gritando que eu tinha que ir Enquanto o mundo aprendia o começo Eu já aprendia a cair Roubando tardes do meu verão Pressa pesando na minha mão Chamando peso de vocação E eu disse sim quando era não Cresci correndo sem direção Aprendi cedo a dizer tá bom Virar abrigo na tempestade Mesmo sem ter salvação Fui peça presa na engrenagem Rodando o tempo que não escolhi Mas entre as batidas do velho relógio Uma voz insistia em mim Meu tempo correu antes da hora Antes de eu aprender viver Enquanto o mundo contava os dias Eu só corria sem entender Mas no barulho de mil relógios Uma voz veio me chamar Dizendo: Nem toda pressa é destino Às vezes é hora de parar Carreguei noites nos ombros Promessas que eu nem prometi Cada caminho parecia um mundo Mesmo sem saber pra onde ir Fui farol na escuridão Fui abrigo na explosão Mas quem aprende cedo a salvar o mundo Esquece do próprio chão E nas ruínas do tempo perdido Quando pensei que era o fim Ouvi uma voz atravessando o silêncio Chamando meu nome em mim Relógios quebram quando giram demais Mas o eterno nunca se desfaz Meu tempo correu antes da hora Antes de eu aprender viver Enquanto o mundo contava os dias Eu só corria sem entender Mas no barulho de mil relógios Uma voz veio me chamar Dizendo: Nem toda pressa é destino Às vezes é hora de parar A pressa que me deram Não é meu nome Ponteiros girando Sem perguntar Se o mundo me empurra Eu quebro o ritmo Meu tempo Eu vou me Encontrar Meu tempo correu antes da hora Mas hoje eu paro aqui Se viver é mais que correr Então eu escolho sentir Porque no meio de mil relógios Ainda existe um lugar Onde o tempo que parecia perdido Era só tempo de esperar O relógio ainda gira Mas eu não corro mais Porque a voz que atravessa o tempo Nunca chega tarde demais