Portas rangem, querem falar Cheiro antigo preso no ar Poeira dança na luz que restou Más algo aquí nunca acabou Quadros encaram, sabem demais Segredos que eu deixei pra trás Cada passo insiste em soar Como um erro que não quer calar Eu não devia ter entrado aquí Más já não sei como sair Tem algo vivo no que eu não vejo Algo preso atrás do espelho E quanto mais eu tento entender Mais perto eu chego de me perder Essa casa não quer me soltar Cada parede tenta falar Que o escuro não tá só ao redor Ele cresce e respira em nós Relógios param, más ouço andar Algo no tempo quer me alcançar Sussurros vêm sem ter lugar Chamando um nome que eu quis calar Páginas abertas, sem ter final Histórias minhas em tom fatal Cada palavra quer me prender Num ciclo que eu não quis viver Se eu corro, volto pro mesmo lugar Se eu paro, começo a escutar Tem algo vivo no que eu não vejo Algo preso atrás do espelho E quanto mais eu tento entender Mais perto eu chego de me perder Essa casa não quer me soltar Cada parede tenta falar Que o escuro não tá só ao redor Ele cresce e respira em nós Sem saída, sem direção Só o peso da respiração Minha voz volta distorcida Como se nunca fosse minha Se essa chave não abrir Tal vez não seja pra fugir Más pra encarar o que sobrou Do que em mim se trancou E se eu nunca sair daqui? Ou se isso sempre foi em mim?