Me olhei no espelho, mas quem é que tá lá? Tanta máscara no rosto, nem sei quem vai falar Tantos sim pro mundo, eu me calei no processo Quem era eu mesmo? Eu já não tinha endereço Me entreguei de bandeja, deixei de pedir troco Vendi minha alma em essência em um sopro Na ilusão do tá tudo bem, tá tranquilo Não me reconhecia, me encontrei perdido A vida cobra caro, e paguei com identidade Fui abrindo mão da minha própria verdade Pra agradar plateia que nem tava assistindo No palco da vida, eu mesmo fui sumindo Mas agora eu vejo, eu me refaço Pego de volta o que o tempo me roubou e desfaço Eu sou raiz, que renasce da fresta no chão Tô me reconhecendo, sou minha revolução Cê acha que eu sumi? Tô voltando mais forte Que nem fênix, ressurgindo, dessa vez com suporte Agora sou eu, sem moldura, sem moldagem Desenterrei meu eu, fiz a própria sabotagem Chega de moldar minha alma pra caber na estante Me reinvento, me liberto, num flow mais constante Eu sou meu caminho, sou estrada e sou trilha No mapa da minha alma, achei a minha ilha Fiz dos tropeços, um trampolim pra voar Se me perdi de mim, hoje eu vou me encontrar Não sou mais refém das correntes que eu fiz Sou dono da minha história, voltei a ser raiz Mas agora eu vejo, eu me refaço Pego de volta o que o tempo me roubou e desfaço Eu sou raiz, que renasce da fresta no chão Tô me reconhecendo, sou minha revolução Na bagunça do mundo, eu sou ordem no caos Arrebentando as algemas, me sinto mais real Não sou mais sombra, sou luz brilhando no escuro De volta pra mim, no meu futuro eu, juro!