Se for ser eu não vou ser mais ninguém Mas se para lá de mim for mais alguém? Terei de ser também esse outro alguém Mas como sei se invento o que não sou? Ou como sei se penso o que me pedem Ou se o que me pedem é quem eu sou? Sete dias, sete noites Só uma direção Dias em que sou livre Noites em que sou prisão Sete dias, sete noites Só uma direção Sete tiros em guerra Ou sete balas no chão E se ninguém olhar para mim será que passo a ser ninguém? Mas como assim? Terei que ser aquilo que querem que seja, para ser alguém também Mas se à luz ao espelho continuo a ser aquilo que sou? Então? Terei que me esconder, não podem perceber que sou aquilo que não sou E viverei na ilusão de ser o outro, mas o outro, é alguém Quantos querem quem, quantos dizem o quê? Será que quero também, será que ninguém vê? Porque há tantos de mim que já não sei contar