Márcia Menina Por Ula de Freitas Márcia que abre os olhos e vê Márcia que é amada, sentida, abraçada Márcia acolhida, cuidada, protegida Márcia que é simplesmente menina Márcia que cresce, corre e sorri Márcia que descobre o mundo e o frenesi Márcia que encanta e é encantada Márcia que toma decisões precipitadas Márcia que olha e parece não ver Márcia que sofre sem perceber A vida feita de erros e acertos Tem qualidades e também defeitos No calabouço deseja morrer Márcia que entrega-se ao fracasso Márcia que não ouve mais seu coração Márcia que levanta e abre a janela Mas não escuta aquela canção Márcia defraudada olha e deseja Que o passado volte em sua vida calcina Márcia que chora ao viver a realidade Forjada na grotesca motilidade Paralela ao interior de menina Márcia se acha sem esperança Quando uma luz intensa lhe alcança Como mão forte e amorosa Puxando-lhe da realidade dolorosa Márcia vê-se sorrindo novamente Porque no caminho havia uma cruz Agora arrancada da morte para a vida Pelos braços fortes de Jesus