Você vem, senta no chão Sente o arrepio subindo pela palma da mão Mas fé não é só emoção É caminho, é verdade, é intenção Todo mundo quer esse axé Mas nem todo mundo quer o peso da fé Todo mundo quer vestir o branco Mas não entende o tamanho do manto E eu te conto o que aprendi Com os velhos que existem de mim Umbanda não é aparência Umbanda é raiz, é conselho, é presença Ser médium não é medalha É renúncia que arde, é ferramenta É ouvir o ego berrar E seguir o sagrado que te sustenta E antes de vestir o branco Vestir a própria consciência Por quê? Por quê? Pra quê? Pra quê? E pra quem? Pra quem? Se pergunta isso toda vez Que o atabaque te chamar também Por quê? Por quê? Pra quê? Pra quê? E pra quem? Pra quem? Se não for por amor e missão Não tem fundamento, não tem Você quer entrar na gira Mas gira não é pra aparecer É pra sarar, curar, aprender E, quando dói, é pra crescer Tem gente que quer só o brilho Mas esquece de firmar no chão Tem gente que quer guia no peito Mas não quer carregar obrigação E eu te digo com clareza Guia não é beleza, é dever E filho que respeita a casa Nunca anda sozinho pra vencer Ser aparelho é levar luz onde não tem É abraçar dor que não pertence a ninguém É firmar ponto no escuro e seguir além Até o céu da madrugada te acolher também Missão pesa Mas nunca abandona Por quê? Por quê? Pra quê? Pra quê? E pra quem? Pra quem? Se pergunta isso toda vez Que o atabaque te chamar também Por quê? Por quê? Pra quê? Pra quê? E pra quem? Pra quem? Se não for por amor e missão Não tem fundamento, não tem Quem tem axé na frente Não anda só na vida Adorei as almas Que a benção dos meus Velhos, guie quem pisa nesse chão Que a calma da sabedoria, segure firme a tua mão