Ele veio das colinas de Lubango Com poeira nas botas e o destino na mão Ela era a flor do porto de Luanda Filha de um sargento, lei daquela região Se amavam onde o rio encontra o mar Lá nas areias brancas do Mussulo Mas o fumo da guerra começou a soprar E o céu do Oeste ficou escuro O velho sargento disse: Esqueça esse rapaz Pra não ver o seu fim em um campo de paz Mas o amor é um cavalo difícil de domar E o segredo cresceu quando o ventre começou a inchar Oh, Angola, terra de sol e de dor Onde a pólvora tenta apagar o amor Ele partiu pro combate e nunca mais voltou Mas na beira do mar, uma vida brotou Sobre o olhar de Deus e o azul do Mussulo Nasceu o herdeiro de um novo mundo O jovem cowboy se perdeu na fumaça Caiu como tantos, sem nome ou lugar A dor foi o preço da nossa desgraça Mas o choro do filho veio pra curar Não tem coroa, nem ouro, nem trono Mas tem o sangue de quem não se rendeu A guerra é um rastro de abandono Mas a esperança é o que o destino escreveu Dorme, menino, sob o sol do deserto Seu pai está longe, mas seu reino é perto Nessa terra linda que ele tanto amou Você é a semente que o vento plantou Oh, Angola, terra de sol e de dor Onde a pólvora tenta apagar o amor Ele partiu pro combate e nunca mais voltou Mas na beira do mar, uma vida brotou Quem sabe um dia, desse solo de lei Esse menino ainda possa ser rei Sim, ele vai ser rei Dessa terra de Angola Que o seu pai amava