O Sol baixando e a poeira levantando no quintal A trilha sonora era um chocalho de vidro sem igual Garrafa pet na mão, o meu tesouro guardado Tinha olho de gato, leitosa e o brilho do passado Nem vi o tempo passar, o joelho ralado nem doeu No triângulo riscado no chão, o mundo era todo meu! E faz: Tique-taque, ploc-ploc! Dentro do plástico A gente era livre, um tempo fantástico! Mãe gritando na porta: Vem pra dentro, menino! Mas a próxima jogada era o meu destino Pé no chão, alma limpa e a garrafa cheia A felicidade vinha da ponta do dedo na areia! O irmão do lado chorando, dizendo que eu ganhei na sorte Devolve as minhas de fogo, senão conto pro meu norte! O vizinho emburrado jurando que eu fiz trapaça Mas no jogo da rua, quem tem técnica é quem passa A raiva passava logo, amanhã tinha revanche A gente brigava por gude, mas dividia o lanche Até altas horas, sob a luz do poste amarelo O asfalto era o campo, o nosso castelo Sem tela de celular, sem Wi-Fi pra conectar A nossa conexão era o estalo de uma gude no ar! E faz: Tique-taque, ploc-ploc! Dentro do plástico A gente era livre, um tempo fantástico! Mãe gritando na porta: Vem pra dentro, menino! Mas a próxima jogada era o meu destino Pé no chão, alma limpa e a garrafa cheia A felicidade vinha da ponta do dedo na areia! Só mais uma partida, mãe! Amanhã tem mais Bons tempos Que não voltam atrás