Pra quem nasceu no Rio Grande respirando o ar da serra E com amor nesta terra cresceu guapeando o destino Destinou esse maleva que, muitas vezes, perverso Aprendeu a fazer versos desde os tempos de menino Por isso me fiz poeta das coisas lindas do pago Que sempre com muito afago em todo lugar que eu ande São mil poemas e rimas que com carinho eu faço Cada frase é um pedaço do meu querido Rio Grande Meu verso é tição de angico queimando em manhã de geada Aquecendo a madrugada numa alvorada campeira É o velho amargo gostoso cevado muito a capricho É peleia de bolicho em tardes de sexta-feira Meu verso é o eco choroso da velha gaita manheira É a China caborteira que no olhar já nos peala É um velho pé de figueira cravado numa coxilha Trincheira de um farroupilha que ao minuano se embala Meu verso é a voz do pampa ecoando nas coxilhas Assoviando nas flexilhas endoetados com o vento Meu verso é chuva de agosto no oitão do rancho guasqueando É boi de tropa berrando num derradeiro lamento Meu verso é chama crioula queimando dentro de mim É a lança, é o clarim, são sinos de São Miguel Meu verso é parte da história que eu quis repontar cantando E é Tiarajú peleando no chão de São Gabriel