Fui um vaqueiro afamado Depois de velho cansado Eu me senti obrigado Abandonar meu sertão E como recordação Do meu tempo de criança Eu guardei como lembrança Chapéu, peneira e gibão Na hora de viajar Não pude me controlar E comecei soluçar Baixei à vista e chorei Para fazenda olhei Fiz um dois ou três acenos Me despedi dos terrenos onde tanto trabalhei Adeus serras e campinas Serotis montes e minas Bebedouros e salinas Jeretas e juremais Cerca cancelas, currais Da velha propriedade Me despeço com saudade Do canto e dos animais Adeus Fazendas e fazendeiros E os colegas lareiros Que ficam no meu lugar Não posso mais campear De tristeza lágrima desce Que quando a gente envelhece Não pode mais trabalhar Vou guardar como lembrança O gibão e as peneiras E as medalhas primeiras Que ganhei nas vaquejadas Conservadas e bem guardadas Essas joias excelentes Como se guarda presentes das primeiras namoradas Me despedi e viajei Da fazenda onde morei Estante dela fiquei Com os filhos e meu bem E toda hora que vem Um vaqueiro a boiando Aí eu fico chorando Ja fui vaqueiro também