Eu que buscava viver novamente O início eloquente da história de amor Poeta que sou inventei a ilusão E soprei os meus versos em sua direção Querendo abalar toda sua estrutura Transformar sua história presente e futura Inventei um amor que me desse prazer E tivesse o sabor de uma nova aventura E como quem escolhe um alvo E quer apenas chama acesa Apontei minha invenção em direção à sua beleza Como um cientista louco Experimentei de tudo um pouco Que pudesse impressionar Que pudesse causar surpresa Eu já tinha muitos pecados Ela só um namorado Ela estava no seu canto Eu estava do outro lado Me encantava a gentileza E o corpo de princesa Era pela alma boa e era pela natureza Aos poucos o que eu escrevia passava A ser muito mais verdadeiro pra mim Me vi construindo castelos nas terras Mais férteis e justas dos deuses mais belos Sem já me importar com a beleza Sem já nem ligar pra aventura Inventor, invenção Criador, criação Era a mesma criatura Eu que inventei o amor Como quem sugere uma aposta Agora só sei escrever Pensando no jeito que ela mais gosta Meus dias são de solidão Em frente a uma tela vazia Esperando um sinal de fumaça Esperando alguma resposta Enquanto eu virava um amigo Ela foi virando castigo Eu já vivia por ela Ela não estava comigo E restou a agonia Esta sim é tão sincera Tão precisa quanto a pausa de um compasso de espera Toda vez que eu inventei o amor Eu criei a minha dor Se é pra ter medo da vida Eu peço aqui minha despedida Se é pra ter medo, vida Eu peço aqui minha despedida