Antes de qualquer forma surgir Existe um estado que antecede o movimento É no no espaço invisível de sentir Que a vida escolhe o próprio tempo O que permanece vivo por dentro Não pede pressa, nem confirmação É desse campo silencioso Que se define a próxima direção Nada deixou de circular Em nenhum momento se perdeu A fonte seguiu intacta mesmo Quando não se percebeu O afastamento foi um acordo sutil Aceito sem plena consciência O valor nunca abandonou o ser Foi apenas coberto pela experiência Não foi a vida que impôs limites Foi a consciência que se afastou Quando o merecimento se dissolveu Receber também se ocultou A abundância é um estado natural Quando não há negação em existir Não é algo que se conquista É algo que se permite fluir Nada é dado como recompensa Nada é retido como punição O campo responde com exatidão Ao estado de aceitação Com o tempo aprendeu-se a contrair O que antes se movia com leveza Confundiu-se proteção, com limite E cautela, com escassez Disfarçada de prudência Não se trata de pedir mais Nem de provar valor algum Quando receber não é seguro O fluxo espera em silêncio profundo A abundância é um estado natural Quando não há culpa em receber O que sempre esteve disponível Volta a se reconhecer Nada precisa ser forçado Nada exige sacrifício ou dor A vida não mede esforço Ela responde ao tom interior Toda restrição nasce primeiro por dentro Toda escassez começa na percepção Quando a dívida interna se dissolveu O campo muda de posição Não há testes Não há cobrança Não há juízo a ser vencido O retorno acontece no instante Em que o valor é assumido A abundância é um estado natural Antes do medo, antes da forma Quando o ser se lembra de si A realidade se reorganiza Nada foi retirado do caminho Nada precisou ser concedido O que sempre esteve aberto Volta a ser vivido Nada precisa ser pedido Nada precisa ser provado O que é natural retorna Quando deixa de ser negado