O céu estremece outra vez A noite prende a respiração Mas ela espalha cores no escuro Iluminando sua mente na escuridão Ela não sabe o que é guerra Gosta de brincar e desenhar É apenas uma criança Acredita que o Sol volta a brilhar Cada sussurro pede silêncio Cada sombra faz o ar pesar Ela fecha os olhos E faz outro Sol nascer ao imaginar Ela ainda desenha o Sol Mesmo quando o dia não vem Canta baixo para o medo Como se embalasse alguém Diga-me por que os pequenos Aprendem tão cedo a temer Se ela não pede ao mundo nada Além de um dia pra viver, um dia pra viver Se o amanhã chegar na escuridão Quem lembrará do seu nome então? Quem recolherá seu corpo do chão Antes que os abutres façam a próxima refeição? Brinquedos quebrados no meio do chão Onde antes havia risos e imaginação Agora ecoa sirene e explosão E o medo cresce dentro do coração Uma bola perdida na rua em ruína Um caderno rasgado que o vento domina Infância roubada por gente assassina Enquanto o mundo apenas opina Se o amanhã nascer sem direção Quem vai guardar tua recordação? Crianças chorando na destruição Pagando o preço de outra nação Se o amanhã chegar na escuridão Quem lembrará do seu nome então? Pequenas histórias virando poeira No vento frio dessa guerra inteira Ela ainda desenha o Sol Mesmo quando o dia não vem Canta baixo para o medo Como se embalasse alguém Diga-me por que os pequenos Aprendem tão cedo a temer Se ela não pede ao mundo nada Além de um dia pra viver, um dia pra viver Se os céus pudessem ouvir seu pedido O estrondo iria cessar? Se o mundo enxergasse seus desenhos Será que iriam lembrar Que não há nomes que justifiquem Crianças morrendo em explosões Ela sempre desenha o círculo amarelo Enquanto algum general ordena a próxima explosão Ela ainda desenha o Sol Mesmo quando o dia não vem Canta baixo para o medo Como se embalasse alguém Diga-me por que os pequenos Aprendem tão cedo a temer Se ela não pede ao mundo nada Além de um dia pra viver, um dia pra viver, um dia pra viver Ela ainda desenha o Sol