Ooh meu fío Senta aqui um cadinho Deixa o tempo abrandar Preto velho vai te contar uma coisa Que vem lá do fundo do terreiro da vida Sabe esse vício meu fío Ele não chega batendo palma Nem pedindo licença, não Ele chega mansinho Feito cobra rasteira na beira do rio Te ofereço alívio Te oferece paz Te faz acreditar que é teu amigo Mas devagarzinho ele vai sugando tua luz Tua vontade, tua alegria Quando tu vê Não é mais tu quem escolhe É ele quem comanda O vício é uma teia E quanto mais tu luta sem consciência Mas preso tu fica Por que ele não se alimenta só daquilo que tu faz Mas do que tu sente Da culpa Do vazio Da falta de amor por ti mesmo Mas, oh Tem jeito sim Preto velho não fala de condenação Fala de cura O primeiro passo fío É olhar pra dentro sem medo Ver o quê que tu anda Querendo calar com esse vício É dor, é solidão É raiva guardada Tudo isso precisa ser olhado com carinho Não com castigo Depois Tu precisa, lembrar quem tu é Tu não é o vício Tu não é o erro Tu é espírito em aprendizado Tu é luz tentando lembrar que brilha Cuida da tua casa Do teu corpo, da tua mente Como quem limpa um altar Reza, caminha, conversa com quem te quer bem E aprende a se escutar sem julgamento E quando a vontade bater Não luta contra ela com raiva Acolhe e transforma Diz pra ti mesmo Eu tô sentindo, mas eu escolho me libertar! E cada vez que tu fizer isso Tu vais tirando as garras Dessa obsessão que te amarra Lembra meu fío Nenhum vício é mais forte Que um coração decidido a se curar Nenhuma sombra é mais escura Que a luz da consciência desperta E se tu cair Levanta com fé Por que até no chão O filho de fé pode florescer de novo Saravá, meu fío Que a luz do teu querer firme Te liberte das correntes do engano E que tu aprenda a se amar Um dia de cada vez E saravá As forças que libertam