Nasci para a luz e o despertar Quando o tempo era sonho E o chão era lar Corria pelos campos livre e sorrindo Abraçava meus avós O mundo ainda vindo O Sol beijava a pele E o vento me chamava Cada tarde era eterna E o coração cantava Não havia pressa, não havia dor Só a inocência brincando com o amor Cresci entre crenças E caminhos estreitos Entre promessas doces E sonhos desfeitos Busquei ser alguém Que o mundo pudesse aplaudir Mas perdi um pouco de mim ao tentar existir As luzes da cidade me fizeram crer Que a alma dorme quando há muito querer Entre quedas, risos e a pressa do chão Fui tocando a vida com a mão e a ilusão Sou luz, sou o todo à brilhar Sou vento, a terra, o amar Sou o que é O que sempre será Somos um A vida à pulsar O tempo passou e com ele o olhar Se fez mais calmo Aprendeu á escutar Vi amores que vêm e partem na estação Vi que o verdadeiro fica no coração Fui longe demais tentando entender Que a alma não pede Só quer florescer Despertei um dia cansada e feliz Sabendo que o todo também vive em mim Sou luz, sou o todo à brilhar Sou vento, a terra, o amar Sou a estrela que aprende à voltar Sou o silêncio que quer cantar Agora caminho devagar pela terra molhada As mãos marcadas pelo tempo e pela jornada O rosto trás rugas Mas os olhos são novos Há mundos inteiros no que vivi e nos povos Sento ao entardecer e sorrio ao lembrar Dos campos, dos risos, do velho lar Entendo que nada foi em vão Tudo foi aprendizado em cada estação Permito ser o que sou Sem o peso do nome Sem o medo da dor Sou o menino que correu no campo Sou o adulto que caiu e se ergueu Sou o Velho que olha o céu e entende que tudo é Deus Tudo é eu Agora descanso em paz Com o que é Sem buscar razão Lutando com Fé Sinto o vento que me chama de volta Pra casa sem forma Pra vida mais solta Sou luz Sou a dança do ar Sou o tempo que vem se abraçar Sou o início, o meio e o fim Sou o todo e o todo é em mim