Escuta meu filho Escuta minha filha Eu sou pomba gira Venho com verdade e poesia Trago no corpo a força da rua Trago no peito a chama da vida E hoje lhe ensino que amor próprio É tua coroa mais bendita Quantas vezes você se entregou demais Se esquecendo de si, querendo a paz Quantas vezes se calou, só pra não perder alguém Quando na verdade, quem perdia era você também O amor próprio não é vaidade É raiz firme, é liberdade É saber dizer sim quando o coração quer dançar E dizer não quando tentam lhe calar Seus olhos são farol Seu sorriso é portal Tua essência é divina Teu corpo é um quintal Não se curve a palavra que tenta ferir Quem não vê tua grandeza Não merece existir Amar-se é erguer-se mesmo na queda É vestir cicatriz como medalha que enreda É saber que cada dor lhe fez crescer E que a tua beleza Ninguém pode deter Eu lhe digo, fío, fía Não mendigue atenção Quem se ama de verdade Já tem bênção na mão Quem se ama Não corre atrás de migalha Bebe do próprio cálice Não se atrapalha Na gira da vida Quem tem amor próprio gira firme Não se perde em esquina Não se deixa extinguir É rainha, é senhor É senhora do caminho Anda só se quiser Mas nunca anda sozinho Porque quem se ama atrai o que é certo Não o que prende, mas o que liberta Não o que machuca, mas o que floresce Não o que consome, mas o que enriquece Então levanta essa cabeça Veste tua verdade Não aceite menos que felicidade Na rua, no terreiro, no canto do coração O teu maior feitiço e tua auto afeição Eu sou pomba gira Venho pra ensinar Que antes de qualquer amor É preciso se amar E quando você se ama De corpo e alma inteira Ninguém lhe derruba Ninguém lhe encarcera Caminhe com orgulho Brilhe sem pudor Pois teu primeiro altar É o teu próprio amor