Ooh Senta aqui meu fio Sente o peso da cadeira e a leveza do vento que passa porque é hora de prozear com calma Sabe meu fio, a vida é feita de ciclos Tudo que nasce, cresce e amadurece e um dia se vai E não é castigo não É o jeito que o pai maior encontrou de fazer a alma caminhar Tu ai se apegando as coisas que já findaram Segura com força o que divia ter ido embora, né? Mas escuta bem Quando um ciclo termina é porque teu espírito já aprendeu o que precisava ali O que tu era naquele tempo, aquele eu que viveu aquela dor Aquele amor, aquele sonho, precisa ser deixado pra trás Não é matar quem tu foi não É libertar, é deixar aquele pedaço de ti se dissolver na luz Pra que o novo tu possa nascer Tudo que tu pediu, tudo que tu desejou Ás vezes precisa ser destruído antes de ser atendido Porque o que tu quer de verdade meu fio O que tu almeja lá no fundo só chega quando o velho se desfaz E dói, oh se dói Mas é a dor da muda da árvore O galho seco caindo pra nascer broto novo É a dor da terra sendo virada pra receber nova semente O que parece perda é só preparo Então para de lutar com o tempo viu Para de querer segurar o que já cumpriu o seu papel Agradece, abençoe e deixa ir Porque quando tu segura o passado tu empede o presente de florescer E o futuro fica de pé Te olhando sem poder chegar Desapega meu filho Não com raiva, não com tristeza, mas com confiança Teu caminho é guiado E se o pai permitiu que algo se encerrasse é porque outro Sol tá esperando pra nascer A alma que aceita cresce O coração que confia floresse Então respira Sente o cheiro do café Escuta o barulho do vento nas folhas A vida tá se movendo Mesmo quando parece parado E quanto tu menos esperar o que tu tanto pediu vai chegar Mas de um jeito que tu nem imaginava Porque o que é teu meu fio o tempo não leva O tempo lapida Fica tranquilo que o que vem agora Vem bonito, vem limpo, vem pra alma que aprendeu a deixar ir E assim é meu filho O velho preto te abençoa e te ensina Nem tudo que termina é fim Ás vezes é só o começo disfarçado de adeus Hum