Você flutua alto Por cima da terra Era tudo tão vasto E ainda a crescer Como um sonho antigo Que insiste em ficar Mas algo no vento Começou a mudar Você seguiu sozinho Pela superfície Centenas de dias Tentando existir Cento e cinquenta noites Sem saber onde ir Até que o silêncio Veio te consumir E o vento passou Levando o que restou E as águas então se fecharam E eu pude ver os montes além Como um fim que não quer terminar E os dias caindo em minhas mãos Como sangue que insiste em lembrar E toda promessa no céu Se perdeu no que já se desfez Mas ainda existe um sinal Que me chama outra vez Da mão de cada criatura Um eco ficou Uma marca no tempo Que o mundo guardou E nas nuvens escritas Um pacto se fez Um sinal diante de mim Que eu não esquecerei Eu sei que verei Mesmo sem entender Algo além do que foi deixado E eu pude ver os montes além Onde o medo não pode alcançar E os dias que não vão morrer Mesmo quando tudo acabar E nas sombras do céu que mudou Há um traço que insiste em viver Uma luz entre as nuvens Pra nunca esquecer Toda vez que olho pro céu Sinto o peso do que se perdeu Nunca mais verei o oceano celeste Só memórias do que já foi E eu ainda vejo os montes além Mesmo quando não posso tocar E os dias que não vão se apagar Mesmo quando o tempo passar E nas nuvens ainda há um sinal De algo que insiste em ficar Uma chama eterna Que não vai se apagar Apenas lembranças no céu De nuvens que vão Mas nunca se vão