Quatro e vinte O relógio nem sabia Mas eu sabia Sempre sei Sentei no mesmo lugar de sempre Como se fosse ritual O mundo girando normal E eu já alguns segundos atrasado Primeira tragada E o pensamento abre Não a mente iluminada Só a memória bagunçada Lembrei de 2009 Do tênis que eu nunca tive Do amor que eu achei eterno E durou menos que a onda Comecei a rir Sem motivo algum Porque na minha cabeça Aquilo tudo fazia sentido Eu penso no passado Como se fosse agora No agora Como se fosse amanhã Sempre que eu fico assim Eu viajo sem sair do lugar Dou risada do nada E choro sem avisar Minha mente faz turismo Entre o que já foi O que é E o que talvez nunca seja A bad trip chega elegante Sem bater na porta Traz uma pergunta simples E se tudo der errado? E de repente Todas as decisões da vida Parecem erradas Inclusive a roupa que eu escolhi hoje O silêncio pesa O quarto parece julgar Até a parede Parece decepcionada comigo Eu penso no futuro Como se ele fosse amanhã E não daqui a anos E isso dá um medo real Mas aí o cérebro escorrega Num pensamento idiota E tudo muda Sempre que eu fico assim Eu caio E levanto rindo Lembro de algo nada a ver E esqueço por que tava mal Minha mente é um looping De drama Filosofia barata E piada interna Lembro de conversas que nunca aconteceram Respondo em voz alta Dou risada Sozinho A bad vai embora Do mesmo jeito que veio Sem explicação Sem pedir desculpa Sempre que eu fico assim Tudo parece importante E inútil ao mesmo tempo Eu prometo mudar de vida E cinco minutos depois Tô rindo Porque esqueci com o que me preocupei No fim Eu volto pro presente Meio torto Meio feliz Quatro e vinte passa Como sempre passa E fica só a história De mais uma viagem Que só eu entendi E isso já basta