Ser forte é morrer um pouco todo dia Fingir que a solidão não sangra Sorrir no espelho pra não assustar Enquanto por dentro Tudo desaba Eu acordo, trabalho, volto pra casa Falo com as paredes pra não me calar Faço o jantar, sento no sofá Ponho um filme só pra não lembrar Ninguém pergunta se eu tô bem Ser forte virou minha prisão também Grito em silêncio Mas ninguém escuta ninguém E dói viver assim Vendo o mundo girar sem mim Amigos amando, saindo, sorrindo E eu Aqui, só existindo Acham bonito meu jeito independente Mas não sabem que isso me mata lentamente Ser forte é ser invisível Ser forte é nunca ser ouvido Eu choro baixinho pra não parecer fraco Rezo em silêncio pra não perder o compasso Abraço travesseiros como se fossem gente Porque há anos Ninguém me segura de verdade Sorriso ensaiado, alma despedaçada Me tornei muralha pra esconder a dor calado Mas quem protege quem protege? Quem escuta o cansaço de quem se esconde? E dói viver assim Vendo o mundo girar sem mim Amigos amando, saindo, sorrindo E eu Aqui, só existindo E quanto mais o tempo passa Mais isso corta como faca No fim É sempre eu Por mim E dói, ser forte demais É carregar o mundo e não descansar jamais Sou meu próprio lar, meu próprio socorro Mas às vezes eu queria Só chorar no colo E dói Dói Mas ninguém Ninguém se importa