A luz pesou Acordei com o corpo pedindo conta Dor no ombro, mente tonta Ser ideia era fácil Difícil é andar com os pés no chão O mundo cobra presença O tempo morde a pressa Todo sonho agora tem forma E forma também quebra Se eu sou feito do que cai Por que eu ainda quero subir? Entre o pó e o fôlego Eu aprendo a existir Sou pó, mas eu respiro Sou falha em movimento Carrego o peso do agora E o vício de ir além Sou pó, mas eu insisto Mesmo quando falta ar Se viver é só tentar Então eu tento ficar Minhas mãos sujas de mundo Meu reflexo não promete Tudo que eu toco envelhece Mas ainda assim eu crio Quis ser eterno no começo Hoje aceito o limite Não sou Deus, não sou destino Sou alguém tentando sentido Entre cair e levantar Eu gasto o que me resta Se eu não posso ser infinito Eu vou ser honesto Sou pó, mas eu respiro Mesmo quando dói ficar Não é sobre ser invencível É sobre não parar Sou pó E isso basta O jardim aparece à distância