Vozes rezam onde ninguém escuta Velas acesas pra sonhos que não voltam Isso não é o fim É o som do que morreu pra nascer A cidade me ensinou a falar baixo Quando o mundo gritava pra eu sangrar Eu fui fé em ruínas, altar quebrado Um nome esquecido no mesmo lugar Carrego mortos dentro do peito Promessas que o tempo não quis salvar Cada passo foi feito no escuro Aprendi a cair antes de voar Vi amigos virarem lembrança Vi amor virar guerra fria Nem todo santo aguenta a cruz Nem toda dor vira poesia Se Deus me ouve, nunca respondeu Talvez o céu também esteja cansado Rezo em silêncio, de joelhos no asfalto Entre o luxo e o pecado Isso é um réquiem pra quem eu fui Pra tudo que não sobreviveu Um cântico grave pra minha dor Pra tudo que o mundo me prometeu e não deu Isso é um réquiem, não é adeus É o som da morte antes da criação Enterrei meu nome no passado E renasci da própria escuridão Transformei trauma em armadura Silêncio em munição Aprendi que bondade sem cautela É convite pra destruição Não sou vilão, nem herói Sou cicatriz que aprendeu a andar Se hoje minha voz ecoa forte É porque tentou me calar O ouro pesa quando vem da lama O topo cobra o preço em solidão Cada conquista tem um funeral Cada vitória tem um caixão Se tudo acaba, por que ainda dói? Se tudo morre, por que eu sobrevivi? Talvez o fim seja só o começo Talvez esse som seja sobre mim Isso é um réquiem pra quem eu fui Pra tudo que precisei deixar Não choro mais pelo que se foi Eu honro o que teve que sangrar Isso é um réquiem, escuta bem Não tem perdão, mas tem verdade Do luto nasce o meu império Da dor, a minha identidade Apaguem as velas Fechem os caixões Hoje não se enterra um homem Se cria um nome Isso não é o fim É o réquiem Antes da ascensão