Hoje eu acordei pensando assim Que o teu sorriso chega pertinho de mim Feito cheiro de bolo saindo da cozinha Coisa simples, mas que muda o meu dia todinho Te vi passar com calma no portão Trazendo o leve toque da tua mão E eu, meio bobo, tentando disfarçar Feito personagem perdido num conto do Machado, a divagar É que cê tem esse jeito de boa Que mexe comigo e me entoa E num instante eu sinto que voa O tempo quando cê tá aqui Vem, meu amor Deita o teu colo no meu mundo, sem pressa Faz desse abraço tua fortaleza Deixa eu pintar tua pele em tons de Portinari Vem, meu amor Teu jeito manso é o meu maior axé É reza doce que o peito até Aprende sozinho a cantar pra você No jardim da rua, perto do jacarandá Cê falou baixinho: Vem cá E eu fui, igual caipira ouvindo causos antigos Meu coração tropeçando nos sentidos E lembra aquela tarde no Mercadão? A gente rindo, provando goiabada com pão Eu dizendo que aquilo era poesia E você jurando que era pura magia Clarice já dizia que amor é sopro E eu sopro no teu pescoço só pra te ouvir sorrir Te levo no balanço das minhas palavras Te guardo no cantinho onde a alma gosta de dormir Vem, meu amor Deita o teu colo no meu mundo, sem pressa Faz desse abraço tua fortaleza Deixa eu pintar tua pele em tons de Portinari Vem, meu amor Teu jeito manso é o meu maior axé É reza doce que o peito até Aprende sozinho a cantar pra você