Seu nome é vento no dente Fagulha antes do sim Eu te amo onde me falta E onde você me refaz Eu era um copo sem água Uma rua sem clarão E encontrei você como quem tropeça No próprio coração O desejo me puxou pela manga Feito fome com boca nas mãos Eu te quis, e nessa falta Nasceu, enfim, aah, direção Do corpo ao que não cabe no corpo Do toque ao que não tem fim Eu subi por dentro do beijo E o alto era em mim, bem aqui Amor é verbo no peito É o dia construindo chão É voltar, mesmo cansado É ouvir sem interrupção É cuidar do que não brilha É ficar quando não dá Amor é aprender seu ritmo Sem perder minha respiração Tem um amor que não toma Não coleciona, não tem Ele acende a sua casa Mas não apaga a minha Não pede prova nem posse Não faz do medo, refém É mão estendida no escuro É um vai doído na alma É a camisa estampada Que veste um coração de luto Eu vejo o que em mim se confunde O que em mim quer mandar E escolho o que ilumina Não o que quer te guardar Amor é verbo no peito É o dia construindo chão É voltar, mesmo cansado É ouvir sem interrupção É cuidar do que não brilha É ficar quando não dá Amor é aprender seu ritmo Sem perder minha respiração Quando você ri, eu aumento Quando você vem, eu sou mais Uma alegria com causa Meu corpo responde a sinais Seu olhar abre as janelas Do que eu achava jamais Amar é ficar mais vivo Sem precisar ser capaz Mas amar é um salto cego É um sim sem parapeito É um sim sem corrimão É assinar com a própria carne Uma carta sem previsão De resposta Eu tremo, eu erro, eu retorno E ainda assim: Decisão Porque o amor não é certeza É coragem Às vezes eu confundo você Com um sonho antigo meu Te peço cura de infância Te cobro o que ninguém deu Eu te visto de passado E o presente se perdeu Até que eu vejo você de novo Você é você, e isso é seu Então, pratico o impossível Cuidar sem te reduzir Respeitar seu território Conhecer sem invadir Responsável pelo laço Sem te usar pra me vestir Amar é arte: Disciplina Pra não deixar de sentir Eu não te amo pelo medo Nem pelo vazio Eu te amo como quem abre A mão no meio do fim Eu te amo quando eu falho Quando eu não sei E o meu eu vira caminho Onde o nós diz: Segue Amor é verbo no peito É o dia construindo chão É voltar, mesmo cansado É ouvir sem interrupção É cuidar do que não brilha É ficar quando não dá Amor é aprender seu ritmo Se você me falta, eu te escuto Se você me encontra, eu também No alto do seu silêncio Eu aprendo a ser alguém E o amor, esse estranho claro Não me prende: Me mantém Como céu que não possui Mas cobre tudo E vai além E vai além