O horizonte não pede licença Ele apenas se abre e arde Feito ferida no olhar Eu não sabia se era medo ou chamado Só sabia que ficar, já não cabia Há mapas nas paredes E todos apontam pra fora! Mas foi no peito Que a terra tremeu Aprendi que o chão sempre treme Antes de abrir caminho Não foi sede de posse Foi fome de sentido Não foi vencer ninguém Foi parar de fugir! Eu avanço Mesmo sem promessa Mesmo sem bandeira Mesmo sem aplauso Eu avanço Porque algo em mim Pede sentido Pede céu Pede espaço Dizem que é loucura Seguir sem porto Mas loucura maior É apodrecer ancorado Carrego cicatrizes Bússolas E cada dor aponta Pra onde já sobrevivi Eu vim de um naufrágio Com sal na pele E fôlego contado Não há barcos a serem queimados Eu cheguei aqui a nado! Se eu cair, aprendo o chão Se eu sangrar, aprendo o corpo Se eu temer, aprendo o nome Do que ainda preciso ser Não conquisto territórios Eu atravesso limites Não tomo o que é do mundo Eu desperto o que é meu Eu avanço Com tudo que sou E com tudo que falta Eu avanço, caminho Porque andar É a forma mais antiga E bonita de voar Ah