Que eu perca quinze quilos Com saúde E que eu me sinta bem Bem mais leve do que hoje Que eu saia de Minas (E volte) Não por fuga Por liberdade Que o mundo caiba em mim E haja pão de queijo Em todo terminal Um pedaço de casa Que eu seja livre como os passarinhos E saiba, sem drama, a hora e o lugar De repousar E as correntes que ainda restam Essas que não fazem som Que se quebrem sozinhas Pela força de eu ser quem eu sou Que eu vença mais dois períodos Ou dois séculos, o que for Que eu continue, que eu continue Mesmo se o caminho for Só espinho e suor Que minhas unhas virem aquarela Não garras Que eu não machuque o que me protege Que eu pinte em telas Tudo o que antes escondia, sem alarde Que eu me desprenda do que pesa Do que compra Do que não dança Que eu pare de comprar cadernos Pra promessas de segunda-feira Que eu encontre e reencontre você Sim, você Que ri com o mesmo fôlego Com que chora Que fica mesmo quando a música para Ou quando toca aquela música Que, se eu tivesse ido embora Eu jamais teria ouvido Que eu vença mais dois períodos Ou dois séculos, o que for Que eu continue, que eu continue Mesmo se o caminho for Só espinho e suor Que eu aprenda a caminhar Correr E talvez, quem sabe, voar Que eu descubra novos cafés Em ruas que não cabem no mapa E canções escondidas em playlists Que ninguém mais ouve E que uma delas me salve Ou me explique Que eu não dependa do sol pra sorrir Nem da sexta pra descansar Nem de você, pra ser Feliz Que eu aprenda a me defender Sem perder a doçura Que eu saiba me proteger Sem levantar muralhas Altas demais E a habilitação Que venha, por favor, antes da aposentadoria Se não vier, que eu pelo menos aprenda A pegar o ônibus certo Sem descer três pontos depois Que eu não deva Nem em dinheiro Nem em amor Que eu zere tudo Nova partida Mesmo corpo Menos bagagem Mais vida Que eu esteja pronta Pronta pra morrer Ou pra viver melhor Pronta como semente ao vento Semente é promessa E cai quando quer ser raiz de novo Que eu me lembre disso tudo Mesmo quando esquecer Mesmo quando doer Mesmo quando der preguiça Que eu esteja pronta Não perfeita Mas viva