Eu inauguro novo dia Eu encho um copo d'água Não vou deixá-lo meio vazio Vou enchê-lo, até transbordar Eu só vou me guiar Por aquilo que sei que funciona Um caderno aberto Um hoje eu consigo Um prato simples bem feito E uma janela aberta Que aprende a voar Com os passarinhos Eu não vou dormir agora Lá fora há Sol e vento no rosto Se o mundo rasgar os meus mapas Eu me viro E viro bússola por dentro Que venha o novo ano Com jeito de mão estendida Com trabalho Com saúde E porções diárias de Sol Eu não peço milagre Pratico o caminho Eu não peço perfeição Cultivo constância Que venha Um novo dia Organizo o coração por dentro Como quem arruma gavetas Tiro o que pesa Dobro o que serve E deixo espaço pra surpresa Faço lista de gestos que salvam Vou ligar pra alguém Pedir um abraço E quem me conhece sabe Que isso já é aprender algo novo Se eu tropeçar, não quero alarde Quero silêncio, e olhar o céu Respiro em quatro tempos E no quinto eu recomeço Sem pressa, sem pausa Que venha o novo ano Com jeito de mão estendida Com trabalho Com saúde E porções diárias de Sol Eu não peço milagre Pratico o caminho Eu não peço perfeição Cultivo constância Que venha Um novo dia Eu escuto o meu sim bem baixinho Ele não grita Ele insiste Eu mudo o passo O pulso cresce Abre asa Acende e voa Eu junto pessoas Como quem junta sementes E a vida entende: É hora É hora de realizar impossíveis guardados É hora de cantar alto Que venha o novo ano Com jeito de mão estendida Com trabalho Com saúde E porções diárias de Sol Eu não peço milagre Pratico o caminho Eu não peço perfeição Cultivo constância Que venha Um novo dia Que venha Um novo dia E mais um dia Teimoso Começa