Se o tempo que resta é resto de onda, eu surfo descalço no quase Ainda dá tempo de errar bonito, de cair rindo, de rimar o tarde com a tarde Eu coleciono minutos tortos, quinquilharias de luz no bolso do peito Se o relógio engasga, eu assopro: Tic, tac, tropeço e aceito Resta o que não coube, um gesto, um eco, um beijo atrasado Resta a pausa que canta mais alto que o brado Se o fim vier cedo, que venha dançando devagar No intervalo entre dois nadas, há lugar pra respirar Eu peço desculpas ao pó, prometo festa às cicatrizes O futuro pede licença, o passado faz ruído nas raízes Ainda dá tempo de ser quase eterno por um segundo em brasa De dizer fica ao vento e ouvir: Quer que fica o que te atrasa? E quando o fim -fechar a porta Bato palmas pro acaso O resto do tempo é partitura Eu descanso no compasso