Êê cumpadi, segura o bigode que lá vem história! Esse mundo tá mudado, ô cumpadi meu irmão Vi uma donzela linda dançando lá no bailão Ajeitei meu chapéu, dei brilho na fivela e aprumei meu bigodão Falei: É hoje que eu desencanto e faço amor na escuridão! Cheguei perto mansamente, coração quase parou Quando ela virou pra mim, meu Deus, quase me deu dor! Dei um pulo tão ligeiro, arranquei o rancho na cabeça Puta que pariu! A moça era de penca Bonita no escuro, uma sereia Mas cuidado, cumpadi, que nem tudo é o que pareça! Parecia munhé, ó trem bão, mas era de penca! Quase enfiei a mão no pacote – pensa numa tristeza! Ela piscou pra mim, eu suando igual chaleira A voz grossa disse: Vem cá, docinho, chega aqui na beira! Ranquei bosta! Cumpadi, nessa hora minha alma foi embora Corri mais que notícia ruim, pulei a cerca sem botar a mão Parecia um foguete na escuridão! O povo riu de mim, falaram: Ô xiko, que azar danado! Falei: Azar nada, cumpadi, foi Deus quem me salvou do lado! No bailão de hoje em dia, a regra é confirmar Antes de puxar na cintura, vê se é pra abraçar mesmo ou pra assustar! Bonita no escuro, todo mundo corteja Mas cuidado, cumpadi, que nem tudo é o que pareça! Parecia munhé, ó trem bão, mas era de penca! Quase enfiei a mão no pacote – pensa numa tristeza! Hoje eu conto e dou risada Mas fiquei traumatizado! No próximo bailão, cumpadi Vou levar lanterna e óculos temperado! Bonita no escuro, todo mundo corteja Mas cuidado, cumpadi, que nem tudo é o que pareça! No bailão moderno, pra não ter surpresa Confere antes o pacote pra não encontrar uma calabresa