Xiko tá na pista levantando poeira Galã da dentadura e da mandioca com veia Bigode engraxado, sorriso só com o ponta esquerda As moça treme as perna, a viúva se enfeita No baile da roça ele chega arretado Moça desmaia, casada corre pro lado Seu fogo e seu charme ninguém aguenta não Até banguela suspira com pura paixão Sua fama corre a roça: Sabugo quente e ligeiro Fivela majestosa e beijo doce, traiçoeiro Lá no boteco o Zé Goma vive a proclamar Quando Xiko passa, até o milho quer dançar! No arraiá a fogueira canta e o povo se ajeita A sanfona chama e a mulherada se derrete inteira A perereca do mato canta quando ele chega Elas pulam no pescoço, dá um tapa na banguela No fim fica provado: Onde o Xikão anda, as munhé inflama É fogo na roça, tremendo, queimando com paixão E até as separadas entram na festa de vez com xikão Pois Xiko, sabugo quente, nenhuma esqueceu jamais Com seu gingado antigo, nenhuma fica pra tras