(É, negro memo não muda) e você que é branco já? (Não, vê só) (Os brancos se ajudam entre os brancos) (Os mulatos se ajudam entre os mulatos) (E os negros?) (Se lixam entre os negros) ah, não, deixa lá disso (Meu irmão, não vale a pena, deixa disso, meu irmão) eu nunca disse, não (Essa nossa raça não tem muitos problemas) não, não, não é nada Isso então é complexo, eu sei bem (meu irmão, não agita só, tô a, tô a bazar mbora) ah Ah, pá, sai daqui, pá Mas de um coro memo, tem razão Não sei como é que é na tua banda, mas aqui Numa empresa, quando tem bué de claros, é porque pagam bem Se tiver bué de negros, podes crer que o salário não convém Há sítios que negro é barrado, mesmo bem apresentado Mas o branco pode entrar de chinelo Calção, um parte escorno ou de fato macaco Você até fica fraco Não é preciso ir na Alemanha, Brasil ou em Portugal Em Angola, o negro discrimina o negro igual Nenhum branco quer ser negro Mas a maioria dos negros querem ser brancos Seus pancos Utilizam produtos que nem o Charles Bois Fritam o cabelo, igualzinho Akwá Um negro com lentes de contacto fica tipo um cambuá Como é que não nos chamam de macacos? Auá Mesmo aqueles brancos que lá não são ninguém Aqui são todos chefes, uma vida se bem Um salário que arromba Quantos mangolés estão na Tuga a sofrer na obra? Preto, macaco, toma banana Por cima são discriminados Mundele pode fazer vinte anos na África Não muda seu sotaque, hábitos e costumes, tiro o chapéu Mas o mbumbo, um ano só nas bandas, ja se dá de europeu Até vêm te dizer (Preto memo é atrasado, é) É muito preconceito Em Angola, só não temos complexo na bebida e no sexo Pum, pum, pum, pum, pum, tô a abrir Xé, um pula por aqui? Tás perdido ou qualquer coisa assim? (Não, esta casa pertence-me e vim recuperá-la) Brinca bem Tantos anos a viver aqui? Ou me mata ou o quê Não saio daqui nem com um contra feio Fugiram da guerra Agora estão a vir aqui como donos da terra? (Oh, eu não sou culpado, pá Eu não tenho nada a ver com os vossos problemas) Só falta vir mais um mundele com papel Dizendo que o país é dele (Isso é racismo) Eu não sou racista, sou realista Mwangolé precisa de uma lição de moral Pra se libertar da escravidão mental Eu não sou racista, sou realista Mwangolé precisa de uma lição de moral Pra se libertar da escravidão mental Não sei como é que é ali, mas aqui mudam O mais lixado não é o pula, é o laton (Eu sou laton, minha ex-namorada era black Você sabe, eu não tenho nada a ver com isso) Vieram da mistura, mas com negro não querem se misturar Sempre a discriminar Feio, ancorado ou matumbo se casam entre eles Mas se for um mbumbo, tem que ser um daqueles Ou é falado ou tem nota verde Dizem que o mulato não se perde, é mentira Nós é que fizemos a sorte deles, não admira O nosso complexo é que lhes deu acesso O negro quando agarra uma mulata, wawê Só da maneira que estranha Se for uma branca então Tipo que já está no céu, Homem-Aranha Há sítios você entra, funcionário são todos clarinhos Negro é só um ou dois Essa história não é de hoje Não é preciso ser bom ou ter dom Em Angola é mais fácil encontrar um emprego se fores branco ou laton (Tô a andar muito no Sol, até tô a ficar escuro, possas) Se preocupamos muito com a cor Isto não é uma questão política, o próprio negro é que não se dá valor Há negros que fazem filho mestiço pensando no seguinte A cor deles como é de sorte, quem sabe, um dia vai ajudar a família Ai, ai, ai É difícil ver um laton que tem massa Casar com uma dama pobre da minha raça Ou a negra tem ou é filha do fulano Pode ser engano Mas a maioria das filhas ou filhos dos negros que têm dinheiro Casam-se mais com pulas ou latons Essa história já vem de longe O mais engraçado é que negro quando já tá a ter um pouco de fama ou dinheiro Só mulata é que é mulher Lhe leva daqui, dali, a se exibir pra toda a gente lhe ver (Xé, tá com uma latona?) Há negras que só garinam com pulas E há negros que falam memo assim: Eu só gosto de mulatas (É o quê? É o gosto dele) Amor não tem cor, isso é complexo da pele, acredita Por isso é que hoje muitos latons dizem memo: A nossa cor facilita (Isso é racismo) Eu não sou racista, sou realista Mwangolé precisa de uma lição de moral Pra se libertar da escravidão mental Eu não sou racista, sou realista Mwangolé precisa de uma lição de moral Pra se libertar da escravidão mental Há quem quando lhe dizem: Ei, você fica bem escura Só o desgosto no rosto Agora lhe diz o contrário Tás a ficar bem clarinha Ai, obrigado, muito obrigado Só a alegria, assim ganhou um dia Eu nunca tive pesadelo Melhor dizer, sonho de ser branco ou amarelo Olha pra mim, uau, olhem pra mim, uau Como adoro a minha pele de cacau Na maior Eu digo isso com cabeça erguida O melhor presente que Deus me deu na vida Foi de me ter feito escuro Afroman puro, moreno Cabrito, evita isso, meu irmão Mestiços são negros em toda parte do mundo Só em Angola é que não são Negro ou branco Nenhuma raça é superior ou inferior Somos todos iguais, só há diferença na cultura e na cor Desculpa se eu feri a sensibilidade ou passei a meta Eu sei que isso dói A verdade dói, mas constrói Podes me chamar até de treta, pateta ou careta Mas uma coisa é certa A nossa sociedade precisa de uma mudança de mentalidade Eu não sou racista, sou realista Eu sei que angolano tem problema de interpretação Por isso, atenção Eu não tenho nada contra latons, nem pulas Digo isso no fundo do coração Eles não se dão de superiores Nós é que nos sentimos inferiores Nós é que temos que eliminar esse complexo de inferioridade Fazer uma revolução mental Para que no futuro, os nossos filhos possam viver de igual para igual Sem preconceito racial Senão, os nossos netos viverão numa nova era colonial Por culpa de nós próprios Se queremos mudar, esse é o momento Porque ainda vai a tempo