As paredes respiram Mas eu não O ar entra, sai E ainda assim me afogo O tempo escorre lento Escorrendo entre meus dedos Como se o próprio tempo Tivesse pena de mim O relógio me observa Sarcástico, impassível Ticando o quanto ainda resta De mim mesma Eu falo comigo Mas nem minha voz me escuta O eco volta distorcido Um sussurro cansado Que soa como despedida Há um zumbido constante Um ruído branco dentro da mente Como se os pensamentos gritassem Pra sair Mas não há saída (Instrumental cresce levemente) Eu mesma tranquei as portas Perdi as chaves E finjo que foi sem querer Mas, no fundo Acho que quis ficar aqui dentro Respirar dói O ar pesa Cada suspiro é um lembrete De que ainda existo Mesmo quando tudo em mim já não quer O vazio não é ausência É excesso É presença demais Espalhada nas frestas do corpo Preenchendo o que sobrou Pensar demais É abrir a jaula E ver o monstro me olhando de volta Pensar demais É cair em mim Sem chão Sem volta (Pausa curta) Cada ideia nasce doente Cada sonho morre no berço E eu continuo Como quem não aprendeu A parar de existir Há uma parte de mim que implora pra ficar E outra que sussurra pra ir Entre o grito e o silêncio Eu escolho o segundo Ele dói menos Me cobra menos Talvez amanhã eu finja melhor Pendure um sorriso Cole esperança nas paredes Como quem disfarça rachaduras Mas hoje não Hoje eu deixo o vazio sentar comigo Beber do mesmo copo Falar no mesmo tom Hoje eu sou só eco Uma lembrança de som Perdida no próprio ruído E quando o silêncio enfim me abraçar Talvez ele me entenda Talvez, no fim Ele seja tudo o que restou Ecos no vazio Me chamando pelo nome