Nota de Pesar

A286

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    Meus versos não são apenas aforismo paradoxal
    Transformei o pessimismo em uma lente pra enxergar a real
    Uma vida dedicada a lírica insisti, embora sombrio
    Libertador como a filosofia de Nietzsche

    Errou quem me rotulou depressivo sem considerar
    Que depressão é luxo eu não tive tempo pra chorar
    Eu sou uma ameaça eu altero resultados
    Compreensível não vê a cara nas grandes mídias de fato

    Voltei no tempo a cena era outra mesmo é quente
    Mas falando francamente o mercado entrega o que vende
    Meus críticos não entendem, eu os compreendo até melhor assim
    Há elogios que são insultos depende de onde vir

    Preciso me antecipar porque já me sinto atrasado
    O mundo fazendo clone, IA e cêis ainda preocupado
    Em criar fakezinho, em meus vídeos fazer comentários
    Não adianta, o Rap de verdade conhece o Reinaldo

    A real é que nosso estilo antigo tá quase escasso
    Quem tá trampando, minha ascensão é inegável
    Enfim
    Cada um vê o que quer, o desfecho é sempre o mesmo né
    Somos todos expressões da mesma essência, marcha no que é
    A mídia continua idiotizando sua cria
    Capitalizando em cima da nossa empatia

    Transforma tragédia em produto, adocica o veneno
    Substituem os papas mas o santo continua o mesmo
    Isso não é sobre santo padroeiro
    Políticos tão à anos luz das linhas de tiroteio

    E aqui perante o corpo que agoniza
    Cêis quer saber qual é o partido
    Antes de estender a mão pra vítima

    Quem é você quando ninguém tá vendo
    Quem é você quando ninguém tá vendo
    Quem é você quando ninguém tá vendo
    Quem é você?
    Quem é você quando ninguém tá vendo
    Quem é você quando ninguém tá vendo
    Quem é você quando ninguém tá vendo
    Quem é você?

    Essa porra é um palco, e eu me sinto um Hamlet
    Em seu dilema existencial cabuloso
    É tanta máscara que vocês veste
    Que se esquecem até do próprio rosto

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    Entre heterónimos nesse jogo de Marionete
    Onde o discurso vale mais que o exemplo
    Meu legado é morrer feito Dina di
    Pela honra não pelo reconhecimento

    Bem essas mesmo, estrelas mudam de lugar meu mano
    Aqui nóiz continua sangrando, mema tese, mema ideologia
    Ainda desacreditada destinada a morre trocando armada
    De ódio e sede de justiça

    Foda é que vejo várias de nós de chapéu tirando
    Submetida a engano, a dignidade vencida
    Com sorriso no rosto, os trauma silencioso
    E o drama, transformado em mitologia

    Quem dera mesmo eu fosse Themis
    Pra condena esses parasita com imparcialidade e forma Justa
    Em suma queria ser mesmo um monstro, Medusa
    E transforma em pedra bruta uma pá de filha da puta

    Ia decorar o jardim de casa com estátuas de pedra
    Com a cara de vários mentiroso safado
    Vermes que só faz peso na terra, engana um montão com média
    Acha que filho é só pra foto em status

    Enfim
    Deixa que Deus cuida, esses já tão com os seus dias contados
    Como eu ninguém é criança pra sempre
    Da parte desses c... Sem novidade
    Já espero o pior há tempos, dali nada mais surpreende

    Um dia também sonhei com um mundo diferente
    A casa com jardim em frente, rosas, orquídeas, família
    Hoje prefiro que guarde suas flores, suas palavras doce
    Só o respeito memo e um lugar seguro pra minhas filha

    Pra que ela não se submeta ao menos pior
    E sinta orgulho quando lembrar do meu nome um dia
    E não se esqueça que: Perdoar não é esquecer
    Esquecer é permitir que o agressor volte em outra face e outra narrativa

    Perdoe meu dedo podre
    Recompensarei qualquer tipo de ausência
    Perdoe meu dedo podre, não justifica
    Mas é que também não tive as melhores referências

    Os números não mentem é só descobri o corpo
    Voltando do trampo veja, o gênero da vítima é a mesma
    Campanha não nos salvam, não é questão de feminismo entenda
    É que contra fatos não há argumentos que vença

    É sem pano pra jack independente do seu hype rap
    Cêis tão chamando isso de aula
    Sem pano pra safada, Pipoquinha o caralho
    Foda se moscando, ironizando a própria desgraca

    É isso mesmo que eles querem
    Nossas crianças é essa erotização disfarçada de diversão
    Isso não é sobre mulheres
    É sobre seres humanos em decomposição

    Ainda é fogo na Caneta
    Contra os que acha que a vida é só droga e buceta
    Pelas minhas sem contar com a sorte
    Um pouco mais que frase em camiseta
    Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome

    Um pouco mais que a mídia fez por Vitória Regina
    E todas desaparecidas, essa é a minha nota de pesar
    Por cada hematoma, cada surra escondida
    Cada expulsa de casa, a minha voz não vai calar

    Respeito se impõe, não se pede, não é só trabalho é minha vida
    Em nome toda esquecida eu vim pra cobrar
    Sangrei por dentro mas por fora permaneço inteirona viva
    Não vim pedir espaço, eu vim tomar!

    Información de la canción

    Composición: Reinaldo A286 y Lauren

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