Décima de Um Gaudério

Adriano Gomes

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    Num semblante de primavera
    Misto de flores e espinhos
    Se estendeu por toda a estrada
    Projetou sombra e aguada
    Por d'onde cruzo caminhos.

    Fui dando espaldas pro rancho
    Cruzei pra lá da cancela
    Sentei as garras no pingo
    Busquei a volta do estribo
    Com a mão canhota na rédea.

    Na direção do horizonte
    Meu pingo trocava orelha
    E a espora dava o comando
    Pra ele sair tranqueando
    Riscando-lhe a barrigueira.

    E o rancho que eu mesmo fiz
    Nobre e de simples valores
    Guarda um ar de despedida
    Virou tapera dormida
    Aos olhos dos cruzadores.

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    Por gaudério, hoje distante
    Mateio à sombra dos móleos
    O pingo livre da cincha
    Atado à soga relincha
    Vejo a saudade em seus olhos.

    Saí para amansar distâncias
    Com a alma de olhar profundo
    Pois nasci de alma andeja
    E desde piá, com certeza
    Sonhava andar pelo mundo.

    Mas se por acaso o pingo
    Relinchar com insistência
    Desato a soga que o tranca
    E dou-lhe um tapa na anca
    Pra que retorne à querência.

    E sigo cruzando estrada
    Porque gaudério sou eu
    Dou um jeito nos arreios
    A maior riqueza que tenho
    É esse mundo de deus.

    Por gaudério, hoje distante
    Mateio à sombra dos móleos
    O pingo livre da cincha
    Atado à soga relincha
    Vejo a saudade em seus olhos.

    Saí para amansar distâncias
    Com a alma de olhar profundo
    Pois nasci de alma andeja
    E desde piá, com certeza
    Sonhava andar pelo mundo.

    Información de la canción

    Composición: Zeca Alves y Adriano Gomes

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