Clara dos Anjos

Agnelo Bento

    Continúa después del anuncio

    Dê um gole de parati
    Pra eu tentar contar sobre o que eu li
    Engolir o inenarrável
    Abafar o inescapável
    Que desce goela abaixo
    Nas ruelas invisíveis
    Cheirando a solidão
    Memórias de escravidão

    O corpo negro não tem voz
    No corpo estéril da cidade
    Que enxota e empurra pros morros
    O que não pode digerir
    Mais um gole de parati
    Eu preciso me inspirar
    Pra falar desse romance
    Pra entender o seu alcance

    Continúa después del anuncio

    O malandro Cassi Jones
    Violonista eficiente
    Iludiu a pobre moça
    Com o seu sorriso quente
    Sua voz aqui dançava
    o corpo chega arqueava
    Pra trás o olho revirava
    A libido de quem olhava

    O malandro vigarista
    Se apoiava na justiça
    Pois sabia que pra ela
    As pobres pretas da favela
    Não valiam uma só bagatela

    E o aborto de Clara
    É o aborto dos pretos
    E pobres açoitados
    Barriga afora da central
    Do cartão postal
    Progressista, coisa e tal
    Desamparo atual

    Información de la canción

    Composición: Agnelo Bento

    ¿Los datos están equivocados?

    Enviar revisión