Apocalipse e apoteose

Alex Frechette

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    O professor/pintor disse que não se pode
    Pintar uma figura cortando a cabeça de alguém
    Dá muito na vista que o artista
    Se sente castrado

    Quem cruza a fronteira
    Acaba perdendo o bonde
    E ainda deve pagar pro coiote
    Mesmo convivendo com a calma
    Metálica do horror W.A.S.P. estadunidense

    Não adianta cambalachos
    Ou nacos de empatia
    A turba está excitada
    Tomada pelo dano das contra-reflexões

    Restritos ao quiporocó inicial
    E aos ressentimentos dos sociopatas
    A ausência está sendo mantida
    Pela leitura-não-leitura
    Do tal livro agourento
    Aquele que não permite
    Despertar pra história
    Pra deixar de viver instintivamente
    Nem cogitar que a cordilheira nevada
    É obra do acaso, do acaso e de muito, muito tempo
    Do acaso, do acaso e de muito, muito tempo

    Todo poeta extrovertido
    Sempre tem poesias fracas
    Ator pálido de melodias óbvias
    Mas potência na voz
    E com uma leve pitada de crítica social
    Somente na medida suficiente
    Pra não espantar a pretensa burguesia
    Aquela fina arte de se ensaboar
    E achar que o bom dia sonoro é obrigatório
    E que sua marginalidade
    É sempre mais legítima que as outras

    Articulação e moda
    Aliadas ao discurso fosco
    Aquele de tendência acadêmica
    Onde mistura gírias, ouros de tolos
    Contornos
    De histriônica vilania

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    Sim vilania, pois se posto burguesia
    Somente repetiria repetiria, repetiria e repetiria e repetiria e repetiria
    Todos os chavões egoístas do mundo

    E ao mesmo tempo a introversão
    Não lhe ajudará em nada

    Qual o seu principal teórico referencial?
    Bom sinal é quando se pergunta a alguém sobre o sua ocupação
    E ela lhe responde sobre o seu hobbie
    Não sobre o seu trabalho

    Tentava ler mas divagava demais
    Nas ambiguidades, adiamentos, promessas
    Nunca ainda bem
    Em voz alta pronunciadas
    Um esgar de palavras robiadas
    Ruminando mágoas e silêncios
    Grudados molemente a casa

    Porque quem tem hálito de guerra
    Não tem habilidade pra se espantar com nada
    Nem a brutalidade da penúria
    Nem a metamorfose das borboletas

    E a amnésia é o foco principal
    Da vida digital
    Apocalipse e apoteose
    Como nas memórias protéticas como as de 1984

    Quem está consciente das ironias de sua profissão
    E do mandamento supremo da vida moderna:
    Não perderás jamais o seu trabalho!

    O professor/pintor disse que não se pode
    Pintar uma figura cortando a cabeça de alguém
    Dá muito na vista que o artista
    Se sente castrado

    Quem cruza a fronteira
    Acaba perdendo o bonde
    E ainda deve pagar pro coiote
    Mesmo convivendo com a calma
    Metálica do horror W.A.S.P. estadunidense

    Não adianta cambalachos
    Ou nacos de empatia
    A turba está excitada
    Tomada pelo dano das contra-reflexões

    Restritos ao quiporocó inicial
    E aos ressentimentos dos sociopatas
    A ausência está sendo mantida
    Pela leitura-não-leitura
    Do tal livro agourento
    Aquele que não permite
    Despertar pra história
    Pra deixar de viver instintivamente
    Nem cogitar que a cordilheira nevada
    É obra do acaso, do acaso e de muito, muito tempo
    Do acaso, do acaso e de muito, muito tempo

    Song details

    Composition: Alex Frechette

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