O professor/pintor disse que não se pode Pintar uma figura cortando a cabeça de alguém Dá muito na vista que o artista Se sente castrado Quem cruza a fronteira Acaba perdendo o bonde E ainda deve pagar pro coiote Mesmo convivendo com a calma Metálica do horror W.A.S.P. estadunidense Não adianta cambalachos Ou nacos de empatia A turba está excitada Tomada pelo dano das contra-reflexões Restritos ao quiporocó inicial E aos ressentimentos dos sociopatas A ausência está sendo mantida Pela leitura-não-leitura Do tal livro agourento Aquele que não permite Despertar pra história Pra deixar de viver instintivamente Nem cogitar que a cordilheira nevada É obra do acaso, do acaso e de muito, muito tempo Do acaso, do acaso e de muito, muito tempo Todo poeta extrovertido Sempre tem poesias fracas Ator pálido de melodias óbvias Mas potência na voz E com uma leve pitada de crítica social Somente na medida suficiente Pra não espantar a pretensa burguesia Aquela fina arte de se ensaboar E achar que o bom dia sonoro é obrigatório E que sua marginalidade É sempre mais legítima que as outras Articulação e moda Aliadas ao discurso fosco Aquele de tendência acadêmica Onde mistura gírias, ouros de tolos Contornos De histriônica vilania Sim vilania, pois se posto burguesia Somente repetiria repetiria, repetiria e repetiria e repetiria e repetiria Todos os chavões egoístas do mundo E ao mesmo tempo a introversão Não lhe ajudará em nada Qual o seu principal teórico referencial? Bom sinal é quando se pergunta a alguém sobre o sua ocupação E ela lhe responde sobre o seu hobbie Não sobre o seu trabalho Tentava ler mas divagava demais Nas ambiguidades, adiamentos, promessas Nunca ainda bem Em voz alta pronunciadas Um esgar de palavras robiadas Ruminando mágoas e silêncios Grudados molemente a casa Porque quem tem hálito de guerra Não tem habilidade pra se espantar com nada Nem a brutalidade da penúria Nem a metamorfose das borboletas E a amnésia é o foco principal Da vida digital Apocalipse e apoteose Como nas memórias protéticas como as de 1984 Quem está consciente das ironias de sua profissão E do mandamento supremo da vida moderna: Não perderás jamais o seu trabalho! O professor/pintor disse que não se pode Pintar uma figura cortando a cabeça de alguém Dá muito na vista que o artista Se sente castrado Quem cruza a fronteira Acaba perdendo o bonde E ainda deve pagar pro coiote Mesmo convivendo com a calma Metálica do horror W.A.S.P. estadunidense Não adianta cambalachos Ou nacos de empatia A turba está excitada Tomada pelo dano das contra-reflexões Restritos ao quiporocó inicial E aos ressentimentos dos sociopatas A ausência está sendo mantida Pela leitura-não-leitura Do tal livro agourento Aquele que não permite Despertar pra história Pra deixar de viver instintivamente Nem cogitar que a cordilheira nevada É obra do acaso, do acaso e de muito, muito tempo Do acaso, do acaso e de muito, muito tempo