Roselle Gustav - Protagonista

Algoritmo Sonoro

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    De outro mundo ao abismo do desconhecido
    Despertei viajante em um corpo renascido
    Na Era do Vapor, guiado pelo próprio destino
    Certo de que seria o protagonista do meu caminho

    Entre engrenagens, ciência e pura ambição
    Erguiam-se impérios na força da tinta e da invenção
    No salão dos segredos, um círculo oculto e frio
    Onde antigos juramentos sussurrava pelo vazio

    Da decadência de nobres ao nascer da revolução
    Da pena ao canhão, moldando a próprio nação
    Entre tronos quebrados e fumaça no ar
    Cada passa deixava o mundo prestes a mudar

    No topo do mundo, sentado na glória
    Um César que escrevia a própria história
    Acreditando ser astro da era perdida
    Crente de que a coroa era a essência da vida

    No silêncio profundo, ordens místicas chamavam
    E nas reuniões secretas, velhos nomes sussurravam
    Entre deuses ocultos e mistérios proibidos
    A trilha do Saber custava caro aos sentidos

    Da Lua avistada ao horror primordial
    Cada passo revelava um preço fatal
    A corrupção se aproximava, gota a gota
    E o sorriso do destino tornava-se derrota

    No auge do poder juntei-me a um grupo secreto
    A Ordem Eremita, onde o oculto me chamou de perto
    Ali descobri que o mundo era maior do que política e vapor
    Que existiam caminhos místicos
    E cada um deles exigia dor

    Percorri o Caminho do Sábio
    O destino que me estava prometido
    Mas neguei-me a seguir o fluxo
    E trilhei o rumo que eu mesmo tinha escolhido

    E com minhas próprias mãos
    As Cartas da Blasfêmia eu construí
    Buscava algo maior, mais digno do renascer que vivi
    E por ambição e vaidade
    Abandonei meu rumo sem saber no que isso ia me conduzir

    Líder, inventor, Imperador, tolo ou visionário?
    Caminhei entre a glória e o abismo imaginário
    E ainda assim repetia como mantra necessário
    O caminho define o inimigo
    Escolhi o mais solitário

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    Entre cartas proibidas, o destino me escolheu
    E outro trilha agora o destino que devia ser meu
    Nas páginas rasgadas, deixei sinais que só ele vê
    Eco do que fui
    Chave do que ele pode ser

    E quando o mundo tremer diante da revelação
    Saberão que dois caminham rumo à mesma ascensão
    Sob a sombra das blasfêmias
    Meu legado vai ressoar
    Mas o herdeiro do meu caminho aprenderá a despertar

    Quando encarei a Lua
    Vi revelações que eu jamais deveria
    E compreendi que este mundo era a Terra
    Um segredo que ninguém ousava dizer em voz fria

    E quanto mais eu subia de Sequência
    Mais minha sanidade escorria
    Até que meus próprios aliados conspiraram
    E o último dia, enfim, chegaria

    Fui traído, caído, quebrado
    E no fim, pelo próprio poder corrompido
    A Rota que escolhi me consumiu
    Me tomou por inteiro, como um destino já decidido

    E nos últimos instantes
    Escrevi em chinês o que ainda restava de mim
    Meu diário
    Confissão, loucura, rancor
    Presságios do meu próprio fim

    Jamais imaginei
    Que aquelas páginas largadas ao acaso
    Guiaram outro homem, outra era, outro passo
    Klein, o Tolo
    Encontraria ali ecos do que um dia vivi
    E mesmo sem querer
    Até na minha loucura acabei traçando o caminho por onde ele seguiria

    Entre cartas proibidas, o destino me escolheu
    E outro trilha agora o destino que era meu
    Nas páginas rasgadas, deixei sinais que só ele vê
    Eco do que fui
    Chave do que ele pode ser

    E quando o mundo tremer diante da revelação
    Saberão que dois caminham rumo à mesma ascensão
    Sob a sombra das blasfêmias
    Meu legado vai ressoar
    Mas o herdeiro do meu caminho aprenderá a como um Deus se tornar

    Mas minha história não termina na morte
    Pois o sangue Gustav ainda pulsava forte
    Minha filha, Bernadette
    A imperatriz Misteriosa
    Brilhante, paciente, incansável, serena e majestosa

    Foi ela quem encontrou meu último mausoléu
    Decifrou pistas, cruzou mares, enfrentou o que apareceu
    Entre ecos antigos e da história que reneguei
    Bernadette alcançou, enfim, O segredo que um dia ocultei

    E então
    No limiar entre mundos
    Quando tudo tremia entre o real e o impossível
    O improvável aconteceu
    Falei com Klein
    O Tolo que o destino escolheu

    Ali, fragmentado em sombras
    Mas lúcido por um único instante
    Revelei a ele verdades
    Que jamais foram ditas a mais ninguém antes

    Revelei a origem dos Caminhos
    Dos deuses ocultos
    Das forças que torcem o destino
    Dos ciclos eternos que moldam tudo
    Falei da Terra distante, da Lua e dos horrores que vi
    Do abismo que encarei
    E do preço por seguir onde ninguém deveria ir

    E naquele encontro final
    Mesmo metade ruína, metade lembrança
    Entreguei, na margem silenciosa do fim meu legado não escrito, meu aviso
    Meu último sinal de esperança

    Foi um adeus silencioso
    Um eco que o vento levou
    Mas Klein entendeu o peso
    Das escolhas que o próprio mundo forjou

    E eu Roselle Gustav
    Por fim descanso no mausoléu que ergui
    Sabendo que mesmo na loucura
    Deixei uma luz para quem veio depois de mim

    Depois de mim, depois de mim
    Depois de mim

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