Os Olhos da Alma

Amaraí e Morisbel

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    Aquele moço de alma boa e muita crença
    Era cego de nascença, tinha um sonho de enxergar
    Com trinta anos já era considerado
    Um dos bons advogados que havia no lugar

    Mas o seu sonho não lhe saía da mente
    Queria ver sua gente, as obras do Criador
    Sonhava ver as paisagens coloridas
    E a sua esposa querida por quem tinha um grande amor

    Para o seu sonho se tornar realidade
    Deixou a sua cidade, viajou pra capital
    Feliz da vida ele seguia confiante
    Pois faria seu transplante num famoso hospital

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    E a cirurgia teve tão grande sucesso
    Que marcaram seu regresso bem antes da previsão
    Chegando em casa quis dar a bela surpresa
    Mas recebeu com tristeza a maior decepção

    Abrindo a porta viu sua mulher amada
    Seminua e abraçada com o seu melhor amigo
    Por um momento reparou seus lindos braços
    Mas caindo no fracasso compreendeu que era castigo

    E soluçando comentava muito aflito
    Esses olhos são malditos, pois são contra os sonhos meus
    Quando era cego tinha paz, amor e calma
    Pois com os olhos da alma eu só via o que é de Deus

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    Composition: Zé Venâncio and Manoelito Nunes

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