Desconstrução

Ana Luísa Ramos

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    A casa não é casa
    A rua não é rua
    Os dias não são dias
    E eu não te reconheço

    A casa não é casa
    Você é uma ilha
    Que emerge eternamente
    Sob um sol incandescente

    A casa não é casa
    A vida é uma estrada
    Que bifurca em desencontros
    E eternos recomeços

    E as ruínas que compõem nossa rotina
    E o passado não nos deixa esquecer

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    Não importa quantos prédios caiam
    Não importa quantos bairros morram
    As flores na janela não estão nem aí

    A vida não é mais, não
    E o silencio entre nós em vão
    É o voo e então a queda
    É a manhã então a névoa
    Eterna insegurança
    As vidas esquecidas
    O vulto da esperança
    Que parte em despedida

    E as ruínas que compõe nossa rotina
    E o passado não nos deixa esquecer

    Não importa quantos prédios caiam
    Não importa quantos bairros morram
    As flores na janela não estão nem aí

    Não importa quantos prédios caiam
    Não importa quantos bairros morram
    As flores entre as pedras cedo ou tarde vão surgir

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