A arte era minha pele o meu respirar
O meu abrigo, um lugar pra sonhar
Mas o tempo, implacável, me fez duvidar
Será que ainda crio por amor ou por cobrar?
Os dias passam, a mente insiste
O prazer se esconde, o vazio persiste
Rabisco ideias que não ganham forma
O coração quer fugir, a razão me conforma
Queria voltar
Ao primeiro toque
Pro tempo em que tudera solto
E sem enfoque
Quando a arte não pesava os ombros e eu
Podia ser livre
Sentindo o que existe
Talvez, no silêncio, eu possa encontrar
A faísca perdida, a vontade de criar
E quando o fardo se tornar paixão
A arte, enfim, será redenção