Fado Pessoano

Ana Sofia Varela

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    O fado, já diz Fernando Pessoa
    Não é canção má nem boa
    Não é alegre nem triste
    Não é de Coimbra ou Lisboa
    É um ser estranho, uma pausa
    Que a alma portuguesa deu ao mar
    Quando tudo desejava
    Sem força para desejar
    Toda a canção é um poema ajudado
    Que diz o que a alma não tem
    E a isso não escapa o fado
    Que é um poema ajudado também
    O fado é fadiga duma alma forte
    É uma espécie de olhar
    Que viu o sorriso da morte
    Nos brancos espelhos do mar
    É um olhar quase de desprezo
    A um Deus que desertou
    Quando mais Dele precisava
    Quem duvidar nunca ousou
    No fado todos os Deuses se juntam
    A cantar lá nas alturas
    Trazidos pelos avós
    Na poeira das lonjuras
    E esses Deuses estão em nós
    Espalham-se pela mesa
    Convocados pela voz
    E só por acaso soam a tristeza

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