Do Rincão a Uma Tapera

André Teixeira

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    Rincão que guarda segredos na alma extinta das casas
    Na lenta morte das brasas dentre o rodar da carreta
    E a lembrança que reponta, pra sonolência da estrada
    Num rangido que cantava, com a boiada por silhueta

    Rincão que encontra o silêncio pela quietude do amargo
    Ritual terrunho que trago, antes do aperto dos bastos
    E a madrugada que sangra um arrebol Colorado
    Espia a cara do dia, mostrando o choro do pasto

    Rincão que move as distâncias no tempo que vai ao léu
    Deixando um negro chapéu dependurado no angico
    Se um dia partiu solito talvez na ânsia de andar
    De changador de um lugar, a viramundo de ofício

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    Rincão que a noite em penumbra resenha sombras em quadros
    Ainda escuta um bailado de tudo e quem lá dançou
    Cochichos de quem passou e o batizou de assombrado
    Porque não ouve o recado nem o que lá se passou

    Rincão que agora descansa depois de muito pelear
    O tempo, os homens e um par, de corticeiras maduras
    Talvez pra safras futuras colherem frutos do bem
    E pra saber de onde vem, a flor que a aguada procura

    Rincão que a imagem tombou numa tormenta de outono
    E por descaso do dono virou fragrância e tapera
    Com um resquício de espera, que alguém o erga de novo
    Pra ver a tez do seu povo sorrir de novo após eras

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    Composition: Christian Davesac, Andre Teixeira, and Fernando Soares

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