Sobre As Marcas No Barro

André Teixeira

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    A chuva trouxe segredos
    No novo viço do pasto
    E semeou na terra negra
    A ‘vida’ em forma de cascos

    Nos lentos passos que formam
    No úmido chão da mangueira
    A moldura mais crioula,
    Pra uma pintura campeira

    Que se mostra frente aos olhos
    De quem madruga primeiro
    Pela paciência dos anos
    Que o tempo chamou Sogueiro

    E despertava o silêncio
    Que antes dormiu na coxilha
    Trazendo o tranco dos mansos
    Que o campo abriga em tropilha

    E sobre as marcas no barro
    Que revelam a cada passo
    Fica um relato de antes
    Na rude imagem dos cascos

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    Que há de ser mais do que um quadro
    Que a terra ajudou pintar
    Ou uma outra face pra vida
    Depois que o barro secar

    São formas madrugadeiras
    Reculutando a paciência
    Do tempo que arma o laço
    Pintando o céu e coxilha

    E o espelho da mangueira
    Traduz da noite pra o dia
    Como se fosse um campeiro
    Pintando um quadro da vida

    Cada uma traz um marco
    Plantado de movimento
    Sensivelmente marcado
    Pelo campo e sua razão

    Cada uma é a impressão
    Da existência no pago
    Deixado a cada passo
    Na talha bruta do chão

    Pena que as marcas do mundo
    Não tem fé simples de barro
    Que não fere carne e couro
    Somente molda o formato

    Daquilo que pode ser
    E aquilo que vai viver
    A cada amanhecer
    Na ponta verde dos pastos

    Información de la canción

    Composición: Xiru Antunes, Andre Teixeira y Adriano Alves

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