Asas de Ícaro

Ária Brasil

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    Após o labirinto de Créta, para o Minotauro, uma prisão
    Dédalo, o mestre, arquiteto da invenção
    E com penas e cera, teceu asas ao vento
    A chave para o céu, o único livramento
    Olhou para seu filho, Ícaro, com temor e ardor
    Criamos nossa liberdade, mas há um grande pavor
    O mar nos cerca, mas o céu é a única porta
    E um grande aviso, que a alma nos conforta

    Não voes tão baixo, que a umidade te arraste
    Nem voes tão alto, para que o Sol não te gaste!
    O Caminho do Meio é a lei da vida e da arte
    Mas o jovem Ícaro, de asas, viu outra parte
    Ele sentiu a brisa, a liberdade sem par
    E esqueceu o aviso, e foi ao topo voar

    A altura o chamava, a vastidão azul-celeste
    Deixou a razão em terra, o coração em prece
    Os marinheiros, os pastores, olhavam de baixo
    Pensando que ele fosse um Deus, sem medo ou rebaixo
    Ele subiu mais, buscando a luz dourada
    Embriagado pela glória, a alma fascinada
    Sentiu-se mais que homem, com o mundo aos seus pés
    Ignorando o medo, sem calcular o revés
    Mais perto do Olimpo, onde a luz é cruel
    E o Sol, vingativo, desvendou seu papel

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    Não voes tão baixo, que a umidade te arraste
    Nem voes tão alto, para que o Sol não te gaste!
    O Caminho do Meio é a lei da vida e da arte
    Mas o jovem Ícaro, de asas, viu outra parte
    Ele sentiu a brisa, a liberdade sem par
    E esqueceu o aviso, e foi ao topo voar

    O calor impiedoso do astro rei queima
    A cera se liquefaz, em pingos sem clemência
    As penas se soltam, uma a uma no ar
    A invenção do pai se desfaz sem parar
    A risada se torna um grito de pavor
    No vazio do céu, não há mais salvador
    Chama pelo pai, mas o vento não ouve
    E o peso da ambição, o destino o remove
    Caiu do céu, do ponto mais alto do voo
    Para o mar que agora leva o nome do seu roubo
    O Mar de Icária guarda seu fim prematuro
    O preço da ousadia, no abismo escuro
    Dédalo chora a perda, a dor insuportável
    De que a maior criação causou o fim lamentável

    Não voes tão baixo, que a umidade te arraste
    Nem voes tão alto, para que o Sol não te gaste!
    O Caminho do Meio é a lei da vida e da arte
    Mas o jovem Ícaro, de asas, viu outra parte
    Ele sentiu a brisa, a liberdade sem par
    E esqueceu o aviso, e foi ao topo voar

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